QUANTO VALE A SEGURANÇA PARA VOCÊ?

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QUANTO VALE A SEGURANÇA PARA VOCÊ?

Motivação para um Comportamento Seguro!

Meu amigo encostou a motocicleta próximo à bomba para abastecer e logo chamou a atenção do frentista, que exclamou:

— Uau, quantas cilindradas?

— Essa moto tem 1300 cc. Voltei agora de um passeio e coloquei a bichinha a 180 km/h… — respondeu o orgulhoso dono da moto.

Em seguida, ele subiu na moto e foi para casa, onde foi recebido pela esposa e pelos filhos. Eles estavam felizes por vê-lo chegar são e salvo. Ele, como pai e esposo carinhoso, abraçou a família dizendo o quanto os amava… Continua após as indicações

Conteúdo Programático:

  • A Evolução da Segurança
  • O Poder do Comportamento Seguro
  • Motivação e Resultados
  • Experiência Real e Impacto Emocional: o que é um acidente?
  • Trabalho em Equipe e Resiliência (anti-frágil)

Diferenciais da Palestra:

  • Palestrante com Experiência Única
  • Abordagem Racional e Emocional
  • Interatividade e Reflexão
  • Foco em Resultados e Superação

Contato e Informações Adicionais:

Moacir Rauber

  • Fone/WhatsApp: 48 9857 8451
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QUANTO VALE A SEGURANÇA PARA VOCÊ?

No dia seguinte, meu amigo foi cedo para a obra, iniciando mais uma semana de trabalho. No próximo final de semana, ele e os amigos motociclistas tinham outra aventura planejada. Mal podia esperar.

O que isso tem a ver com segurança e motivação no ambiente de trabalho? Tem tudo a ver. Falar sobre segurança e motivação pode parecer estranho, ainda mais começando com um fato ocorrido fora do ambiente profissional, mas não é. Para promover segurança, é preciso ter motivação para cuidar de si em todos os ambientes pelos quais se circula, assim como daqueles que estão ao redor.

No trabalho, meu amigo era um mestre de obras produtivo e comprometido. Além disso, era presidente da CIPA, responsável pelos procedimentos de segurança e pelo uso dos Equipamentos de Proteção Individual da organização. Ele era firme com a construtora para que fornecesse os equipamentos e exigia que todos os colaboradores os utilizassem. Não se via pedreiros, auxiliares ou mesmo visitantes no canteiro de obras sem os devidos equipamentos: capacetes, luvas, botas, protetores de ouvido ou viseiras. E ele era o primeiro a cumprir todos os procedimentos.

Naquela semana, meu amigo esteve mais ativo do que nunca. Chegou o final de semana e ele e seu grupo saíram para mais um domingo de aventura. O final da tarde chegou. Meu amigo não parou no posto para abastecer a moto. Meu amigo também não apareceu em casa para abraçar a esposa e os filhos. Ele havia perdido o controle da motocicleta e nunca mais pilotaria por essas paragens. Foi encontrado na segunda-feira, junto da moto, cujo velocímetro marcava 180 km/h.

Seu comportamento o levou de nós. Ele tirou de si a própria vida e roubou da família, dos amigos e da organização a possibilidade de tê-lo presente. Meu amigo faz muita falta.

Hoje, é possível constatar que a evolução tecnológica voltada à segurança tem sido espantosa: ambientes de trabalho mais seguros e ergonomicamente planejados, além de legislação que garante proteção. A atualização da NR-1, com diretrizes de segurança e saúde no trabalho — incluindo riscos psicossociais como estresse, assédio, sobrecarga e outros fatores que afetam a saúde mental — vigora desde maio de 2026. São melhorias consideráveis.

Contudo, há algo que não acompanhou a evolução da legislação e da tecnologia: o comportamento. Não é porque veículos e motocicletas oferecem equipamentos de segurança — cintos, airbags, capacetes, joelheiras — que se pode conduzir fora dos limites seguros. Não é porque se usa capacete e botina que alguém pode se arriscar sob uma viga prestes a cair.

Comportamento seguro é respeito à legislação dentro e fora do ambiente de trabalho. É uma demonstração de amor por si e por aqueles que se ama. Todos nós amamos e somos amados, embora, muitas vezes, não nos comportemos como tal. O relato acima é um exemplo disso. Não se questionam os sentimentos dele pela família e pelos amigos, mas sim o comportamento adotado.

Quando se adota um comportamento inseguro, dentro ou fora do trabalho, assumem-se também os riscos decorrentes dele. Nada do que fazemos tem reflexo apenas sobre nós. Não somos ilhas.

Por isso, ficam as perguntas:

  • Quanto vale a segurança para você?
  • Qual é a sua motivação para um comportamento seguro?
  • Quanto vale estar com aqueles que você diz amar?

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Moacir Rauber

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COMPRIMIDOS OU COMPROMISSOS? DA ANSIEDADE À ESPERANÇA

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COMPRIMIDOS OU COMPROMISSOS? DA ANSIEDADE À ESPERANÇA

Estávamos por começar a palestra sobre comportamentos que nos sabotam, adoecendo-nos, e aliados, que nos curam. Enquanto isso, conversávamos sobre amenidades. Alguém disse:

– O mundo está cada vez mais ansioso, as pessoas estão impacientes…

– Estamos todos muito acelerados…

E por aí seguiram as argumentações. Fiquei me perguntando: será que o mundo está ansioso? Será que todos estamos impacientes e acelerados?

Inspirado numa palestra do Mosenhor Munilla, reúno os pontos que nos adoecem e aqueles nos curam na busca por uma vida saudável.

  • Aceleração versus eternidade: a constante pressa em nossos compromissos profissionais e pessoais nos conduzem para uma conduta frenética que nos dá a impressão de que tudo está mais acelerado. Eis a doença. O que fazer? Resgatar o contato com a eternidade por meio de uma pausa para admirar o milagre da vida do qual fazemos parte. Isso nos conecta com a eternidade. Eis a cura.
  • Culto a imagem versus transcendência: a busca doentia pela aprovação dos demais nos rouba a identidade e gera ansiedade. Eis a doença. Como atuar? Identificar quem é o teu público e quem importa para você e para quem você importa. Assim, as ações vão repercutir no tempo, levando-nos à transcendência. Eis a cura.
  • Solidão versus amizade: podemos nos comunicar com qualquer pessoa em qualquer parte do mundo a partir de qualquer lugar, mas estamos sós. A solidão nos aflige. Eis a doença. De que forma agir? Desenvolver e manter amizades com a presença física tua e do outro. Pode ser na tua relação conjugal, com os vizinhos, pais, filhos, irmãos e consigo mesmo. A presença é a fonte da amizade. Eis a cura.
  • Medo versus sofrimento: temos medo de olhar para dentro de nós em busca de uma solução para a origem da dor e do sofrimento. Temos medo de sofrer e tomamos um comprimido. Eis a doença. Como proceder? Parar, analisar e compreender que não se passa ileso na vida, porque a dor e o sofrimento nos acompanham. Aproveitá-los. Eis a cura.
  • Ruído versus silêncio: começamos o dia com o celular, as notícias e os e-mails, assim entorpecemos a alma com os estímulos externos para sufocar o vazio interno. Eis a doença. Qual é a cura? O silêncio. Desde sempre, para caçar, produzir e aprender o silêncio é fundamental. Na oração, meditação e contemplação que nos permitem tomar consciência da vida, o silêncio. Eis a cura.
  • Efêmero versus compromisso: a efemeridade assumiu o controle de nossas vidas, assim o trabalho perde o sentido e as relações são fugazes. Eis a doença. Qual atitude tomar? Saia da expectativa daquilo que o outro possa dar para o compromisso daquilo que posso oferecer. Frente ao efêmero, o compromisso. Eis a cura.
  • Desempenho versus vocação: estamos condicionados a produzir o tempo todo, sem descanso. O celular conectado o dia inteiro produzindo resultados. Eis a doença. Quais passos dar? Descubra a sua vocação que é diferente de inventar uma. A vocação vem de dentro e ao descobri-la, você a traz à luz. A vocação pede entrega, dedicação e trabalho, mas não esgota. Eis a cura.
  • Arrogância versus confiança: acreditamos que podemos controlar tudo, alimentando a nossa autoconfiança de modo a levar-nos a soberba. Frente ao inesperado e imponderável, sucumbimos. Eis a doença. E agora? Frente a arrogância de querer controlar tudo a humildade. Com humildade se aprende a confiar e com a confiança nasce a esperança. Eis a cura.

Enfim, o passo a passo são remédios que não utilizamos para sair da ansiedade e desenvolver a esperança. Dizemos que vivemos num “mundo ansioso, acelerado e impaciente” como se o mundo pudesse ser algo que ele não é. O mundo simplesmente é. A ansiedade está em você, assim como a esperança. Depende do remédio que você toma.

Comprimidos ou compromissos?

Moacir Rauber

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Inspirado: Monsenhor Munilla

VOCÊ AINDA TEM ESPERANÇA?

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VOCÊ AINDA TEM ESPERANÇA?

Outro ano que está mais próximo do fim do que do início — lógica que também se aplica à própria vida para quem já passou dos sessenta. Provavelmente, há menos caminho a percorrer do que aquele já percorrido. Ainda assim, para aquele homem, suas lutas internas continuavam intensas. Ele acreditava ser dono do próprio destino, alguém capaz de controlar cada passo dado. Mais uma vez repetia internamente: A escolha é minha. O destino é meu! — com a segurança de quem se considera senhor de si mesmo.

Porém, o imprevisto acontece e, diante dele, as dúvidas se manifestam:

— Não sei… parece que as mãos tremem. Não dá para segurar tudo.

A cabeça pende sobre o peito. A autoconfiança de quem crê que pode determinar todos os passos, o tempo todo, vacila. O cansaço de quem acredita ter tudo sob controle aparece no tremor das mãos. O gesto de baixar a cabeça revela a desesperança. O que fazer? Diante da queda da autoconfiança, é preciso confiança. Diante do cansaço, descanso. Diante da desesperança, esperança. A resposta parece simples, mas o caminho até ela exige entrega, disciplina e põe à prova a fé.

Como manter a autoconfiança? Resgatando a confiança. A confiança, como substantivo, representa a crença plena em algo ou alguém. Sua ação está em confiar, que significa fiar com alguém, entregar-se. Nas últimas décadas, porém, a confiança foi deslocada para a autoconfiança, excluindo o outro. Já não era necessário confiar em algo transcendente ou em alguém. A autoconfiança supervalorizou a autoestima, o “eu em primeiro lugar”, o poder das próprias escolhas e da autodeterminação rumo ao sucesso como dono do próprio destino. Entretanto, a realidade mostra outra coisa: a autoconfiança é importante, mas sem algo ou alguém em quem confiar, ela perde força. Com quem você fia junto? A quem você se entrega?

Como descansar em tempos de hiper desempenho? O descanso pede disciplina. Parece estranho falar em disciplina para descansar, já que descanso remete à folga, repouso e calma. Mas o prefixo des- indica o fim de uma ação — algo difícil num mundo cheio de estímulos. Muitas vezes, mesmo sem estar trabalhando, não se está descansando, porque as ações não cessam. A televisão permanece ligada, o celular ativo e as redes sociais nos mantêm em alerta. Não há folga, não há repouso, e a alma não encontra calma, não descansa. Parece que o espírito está sempre empenhado em algo; por isso, além do desempenho, é importante desempenhar-se do sentimento de estar em dívida, de estar empenhado. Assim, descansar exige disciplina. Como está o seu descanso? Desempenhaste a tua alma?

Por fim, como alimentar a esperança? Mantendo a fé. Baixar a cabeça diante do inesperado revelou a desesperança daquele senhor que acreditava ter tudo sob seu controle, faltava a fé. Para alimentar a esperança, acredito que a humildade exerce papel essencial: a partir dela, a autoconfiança permite que se cultive a confiança em algo ou alguém além de si mesmo; o agir abre espaço para o descanso de esperar com paciência. Enfim, aceitar que nem tudo está sob meu controle é uma realidade, mas para isso, é preciso fé — que não é apenas um termo religioso. Fé envolve confiança nas relações humanas e para a possibilidade transcendental. Ao confiar e esperar com fé, surge a esperança: a expectativa positiva de que aquilo que não está sob meu controle não precisa me afligir. Você sabe esperar?

Diante da fala daquele homem, desesperançado porque não podia controlar tudo, talvez a humildade para relaxar e aprender a respirar — para confiar, ter fé e esperar — seja um antídoto à ansiedade. Entendo que, com fé, se confia; ao confiar, se descansa; ao descansar, se espera; e, assim, ressurge a esperança.

Pode levantar a cabeça.

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CULPA E SENTIDO: QUAL O PAPEL DA VOCAÇÃO?

Fonte: Pixabay

CULPA E SENTIDO: QUAL O PAPEL DA VOCAÇÃO?

Eram 5h da manhã e ele já estava acordado, porque a ansiedade não o deixava descansar. Pensava que precisava levantar cedo para adiantar algumas tarefas que haviam ficado pendentes do dia anterior. A esposa também estava acordada e comentou sobre o exagero da autocobrança. Ele, porém, contra-argumentava, dizendo que todos os demais estão produzindo, estudando e aprendendo, e que não há espaço para relaxar, já que é importante conquistar o próprio lugar. Em seguida, surgem as comparações: ele tem 28 anos e, em sua análise, há outros com vinte anos ou menos que já estão à sua frente. A esposa reforça que ele está cansado e que precisaria descansar um pouco mais. Ele responde:

— Não consigo, me sinto culpado…

Ela suspira.

O que fazer diante da cultura do hiper-rendimento? Acredito que é importante descobrir a vocação. Não se trata de uma visão romantizada, em que a vocação transforma o trabalho em felicidade plena. É um convite para que cada um descubra e trabalhe na própria vocação. A descoberta da vocação pode ocorrer em diferentes profissões, levando à realização pessoal e ajudando a evitar a ansiedade.

Qual é a minha vocação e como descobri-la? Comecemos entendendo vocação como a aptidão natural para algo; portanto, ela vem de dentro. Não é preciso inventar a vocação, porque ela já está em você. Por isso, é essencial trazê-la à luz, identificando as habilidades que cada um manifesta com mais naturalidade. Essas habilidades o colocarão diante da própria vocação, que pode se conectar com uma ou com várias profissões.

Vejamos: você se sobressai em habilidades manuais. Em quais profissões pode descobrir a sua vocação? São muitas as áreas que exigem talento com as mãos e precisão. Assim, você pode encontrar sua vocação sendo artesão, músico, carpinteiro, marceneiro, cirurgião, joalheiro, tatuador — enfim, em todas elas é possível atuar e acolher a vocação manual.

E aqueles que exibem habilidades orais? Conectem-se com profissões que exigem fluência verbal ou capacidade de negociação para explorar a própria vocação, que pode se manifestar como professor, vendedor, psicólogo, padre, jornalista, entre outras.

E para quem tem habilidades de escrita? Há diversas profissões que permitem desenvolver a vocação por meio da produção textual e da criação de conteúdo. Por exemplo, é possível trabalhar como redator, blogueiro, produtor de conteúdo, revisor de textos, escritor, roteirista etc., sempre atuando alinhado à vocação.

Assim seguimos com as diferentes habilidades que revelam a vocação em outras áreas, como a aptidão física — presente em profissões como pedreiro, garçom, agricultor, bombeiro, segurança, vigilante — ou a aptidão intelectual, essencial para economistas, pesquisadores, cientistas e outras profissões que exigem análise, abstração ou tomada de decisão complexa.

Portanto, ainda que certas habilidades sejam resultado de uma aptidão interna que nos aproxima da vocação, é essencial estudar, aprender, praticar e trabalhar com a consciência do sentido daquilo que se faz. Saber que aquilo que se faz serve para alguém faz com que a vocação se manifeste em áreas muito diferentes daquelas que foram inicialmente sonhadas. “Só trabalho naquilo que me faz feliz” está mais associado àqueles que inventam uma vocação, enquanto aqueles que descobrem a vocação são felizes ao perceber que servem, fazendo os outros felizes. Eis o papel da vocação na construção de um mundo melhor.

Depois de suspirar, ela diz:

— Sabe que isso que você está fazendo não é sustentável?

— Pois é… o que fazer?

Cada um tem as suas respostas, porém um dos caminhos para diminuir a ansiedade e recuperar a esperança passa pela descoberta da vocação e do sentido daquilo que se faz. Lembre-se: a vocação é exigente, porém não é exaurente. A vocação provoca, mas não consome. A vocação pede entrega, mas não exige que você sucumba (burn out). A vocação requer dedicação e trabalho, porque, com ela, você serve. Enfim, a vocação não esgota; ela traz à luz os teus talentos divinos, que existem para servir.

O que você faz, faz sentido? Para quem?

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COLAPSO DO HORIZONTE: QUAL O SENTIDO DA VIDA?

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Colapso do horizonte: qual é o sentido da vida?

Dois jovens se preparam para o casamento — algo cada vez mais raro, embora ainda exerça fascínio em muitos. Não há, porém, uma ideia sólida de compromisso, já que a alternativa do divórcio está sempre à disposição. Há uma grande vontade de mostrar ao mundo o amor que os une, embora muitas vezes se trate apenas de atração, desejo e busca pela própria felicidade. Ainda assim, alguns temas são abordados antes da união, como a progressão na carreira, a questão financeira, o regime de casamento e a possibilidade de ter filhos. Num desses diálogos, a moça olha para o rapaz e pergunta:

— Você quer ter filhos?

— Nem pensar… Se for para ter filhos, vai ter que escolher outro noivo*.

Ele ri em seguida, mas a posição é séria.

O Brasil se junta aos países da América do Norte, Europa e Ásia, onde é mais comum ouvir casais convictos de não ter filhos do que aqueles que ainda pretendem tê-los. A união passa a ser uma busca pela felicidade no outro, sem que isso represente assumir compromissos com o outro — muito menos com uma nova vida que poderia ser gerada a partir dessa união. O que a escolha de não ter filhos revela? Entre as respostas possíveis, está a ausência de um horizonte de sentido para a própria vida no longo prazo.

Destaco alguns elementos dos quais nos afastamos com a mudança cultural e comportamental das últimas décadas, impulsionada, em parte, pelo avanço tecnológico. Ainda que admiremos nossos pais e avós, abandonamos alguns de seus valores, entre eles o compromisso. Ao renunciar ao compromisso com o outro e com a possibilidade de gerar uma nova vida, reduzimos a importância da fé, da esperança e da família.

A moça, ao escutar a resposta do noivo, ficou séria. Depois, descontraiu e disse:

— Que bom! Eu pensava em ter um cachorro e um gato como filhos.

Ambos estavam de acordo: um ou dois cachorros, ou mesmo algum gato, para formar a nova família. Assim, poderiam focar nas respectivas carreiras, na progressão profissional e aproveitar para viajar pelo mundo sem compromissos.

Os pais das gerações anteriores, que nos tiveram como filhos, tinham muito clara a importância da família a partir do compromisso com os filhos, além do compromisso mútuo. O outro não existia para a minha felicidade; eu existia para a felicidade do outro. Assim, comprometiam-se de corpo e alma, dando origem a casamentos que duravam toda a vida. Com o compromisso, alimentavam uma fé profunda na transcendência, que culminava na esperança de construir uma vida melhor para as novas gerações. Entretanto, algo não ocorreu como esperado, pois as novas gerações não querem compromissos. Surge, então, o colapso do horizonte pela falta de sentido.

Os novos casais, ao optarem por terem somente animais como “filhos”, que podem ser domesticados, castrados e alimentados conforme a conveniência, ficam sem horizonte. Ainda que os animais permitam desfrutar da própria vida sem os compromissos exigidos pelos filhos humanos, há uma carência de sentido. Um filho humano, por exemplo, precisa ser educado; não pode ser castrado — nem emocional nem fisicamente — e exige cuidados que vão além da alimentação e do bem-estar físico dos animais. Exige compromisso com uma pessoa que, assim como você, terá seus próprios sonhos. Isso nos dá sentido à vida e nos conduz à transcendência.

Nada contra ter animais de estimação, também os tive; entretanto, os filhos biológicos deveriam ser prioridade. Entendo que, ao escolher não ter filhos, ocorre um colapso de horizonte para aqueles que se centram apenas em si mesmos. Aumentam-se os estímulos externos proporcionados pela tecnologia, preenchem-se os espaços vazios de sentido com animais de estimação e perdem-se as perspectivas de longo prazo. Não há transcendência — nem espiritual nem biológica — porque é uma vida vivida para si mesma, que se consome e termina. Perde-se o sentido, e o horizonte colapsa. Com isso, a alma não descansa, e a ansiedade se sobrepõe à fé e à esperança.

Qual é o sentido da tua vida?

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*Frase dita por mim há 30 anos. Infelizmente!
Felizmente a vida me deu uma Filha!!!

SILÊNCIO: O REMÉDIO QUE ESQUECEMOS DE TOMAR

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SILÊNCIO: O REMÉDIO QUE ESQUECEMOS DE TOMAR

Terça-feira, 6h30. Abri o portão e fiquei na calçada em frente de casa. O sol nascia e o dia estava lindo. Quase não havia movimento. Olhei para um lado e vi um carro que se aproximava numa velocidade acima do normal para aquela rua e, até mesmo, para aquele horário. O carro vinha acompanhado pela potência de um som alto, que atordoava quem estava do lado de fora; imaginei como seria para quem estava dentro dele. Ao passar por mim, o motorista balançava a cabeça vigorosamente, embalado pela batida sonora — para muitos, entendida como música. Gritando, ele me saudou:

— E aí, mano…

Carregava uma escada e outros apetrechos no teto do carro; aparentemente, estava indo ao trabalho. Mentalmente respondi: E aí, mano!

O ser humano sempre precisou do silêncio. Inicialmente, era uma estratégia para caçar e garantir alimento para a família. Com o tempo, passou a ser valorizado como elemento de aprendizado, foco, concentração e produtividade. Também tem grande importância no mundo espiritual, na oração e na meditação, que permitem atividades contemplativas capazes de conduzir o praticante à conexão com o divino. Na música e na comunicação, é o silêncio que dá importância ao som, marcando ritmo e cadência. Sem silêncio, falamos apenas de ruído — exatamente o que o jovem em seu carro ouvia.

Por que, então, nos distanciamos do silêncio? Creio que isso tem relação com a crescente ansiedade, muitas vezes resultado de expectativas não realizadas. Ansiedade que surge de cobranças externas ou internas por um desempenho que ultrapassa nossas próprias capacidades. Assim, buscamos estímulos externos para evitar o silêncio e não nos encontrarmos conosco mesmos.

O que é o silêncio? O silêncio, necessidade humana fundamental, não é apenas ausência de som ou ruído externo. É um momento que conduz a pessoa a um estado de paz, calma e tranquilidade interior. O silêncio exterior contribui, mas esse estado também é possível mesmo em meio a ruídos e estímulos. Eis o desafio para diminuir a ansiedade.

E o que é ansiedade? Neste texto, entenda-se ansiedade como a reação temporária e normal do corpo diante de situações que causam preocupação ou medo. É normal enquanto funciona como sinal de alerta para um perigo real e iminente. Entretanto, a ansiedade tem ultrapassado a normalidade, levando pessoas a viverem em constante estado de alerta, criando perigos imaginários. Para abafá-la, eliminamos o silêncio.

No final, todos nós buscamos a paz. E o que é paz? Paz é um estado de espírito em que raiva, ira, desconfiança, medo e ansiedade não estão presentes. Por isso, é desejada pela maioria das pessoas como um estado capaz de conduzir à alegria e à felicidade, permitindo desfrutar a vida em sua plenitude.

Quais estratégias podem nos levar à paz? O momento atual nos oferece tantos estímulos externos que temos escolhido, equivocadamente, caminhos que não conduzem à paz. Assim como o rapaz que, às 6h30 da manhã, entorpecia os ouvidos para sufocar os ruídos internos — frutos de uma ansiedade, provavelmente, exagerada — temos, cada vez mais, adotado estratégias contraproducentes. Ao escolher os ruídos, afastamo-nos do silêncio e, consequentemente, da oração, da fé, do amor, do serviço e da paz. Com isso, perdemos a esperança.

Compreende-se que o silêncio está na base de qualquer estratégia que nos leve à paz. Entretanto, ele é rompido para evitar sentir a ansiedade que nos rouba a calma e a tranquilidade. Qual estratégia adotar para aproveitar o silêncio em busca da paz? Madre Teresa de Calcutá dizia:

“O fruto do silêncio é a oração. O fruto da oração é a fé. O fruto da fé é o amor. O fruto do amor é o serviço. O fruto do serviço é a paz.”

Você tem dedicado tempo ao silêncio? Se sim, ele será o remédio que abrirá espaço para a oração, fortalecerá a fé, despertará o amor, inspirará o serviço, conduzirá à paz e reacenderá a esperança.

Uma alma sem silêncio é como uma cidade sem proteção. Aquele que guarda o silêncio, cuida da alma. (Santa Teresinha do Menino Jesus)

Moacir Rauber

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ANSIEDADE E ESPERANÇA: O QUE GRITA A TUA ALMA?

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ANSIEDADE E ESPERANÇA

O que grita a tua alma?

Mais uma vez, precisava pedir a receita médica para comprar sua medicação, já que a ansiedade o dominava por completo quando não tomava seus comprimidos. Entrar em sala de aula era uma tortura psicológica que começava no domingo à tarde e só aliviava na sexta-feira. Sábado e domingo, até o almoço, tudo ficava mais tranquilo; depois disso, o estresse e a irritação voltavam, trazendo falta de ar, palpitações e dores físicas acumuladas no pescoço, costas e ombros. O mundo pesava.

Ao entrar no consultório, uma rápida conversa e, em seguida, o pedido:

— Pode renovar a minha receita?

Uma cena que se repete por todo o país, em diferentes profissões. Professor, diretor, empresário, colaborador — muitos trabalham sob prescrição médica. No artigo “Aumento do uso de psicotrópico antes, durante e pós-pandemia da covid-19 no Brasil, com ênfase na região nordeste”, Souza & Santos (2024) mostram um fenômeno que se espalha pelo país e, possivelmente, pelo mundo. Durante a pandemia, o consumo de antidepressivos e ansiolíticos cresceu e se manteve no período pós-pandemia. Empiricamente, isso se confirma nos relatos de pessoas que recorrem aos ansiolíticos para enfrentar reuniões ou simplesmente estar no ambiente de trabalho. Qual a razão desse fenômeno?

Uma pergunta, várias respostas. Aqui, porém, exploro uma: o medo de estar consigo mesmo pela falta de sentido.

A “síndrome de domingo” existe há décadas e revela um enfraquecimento emocional que se intensificou após a pandemia. Talvez já fôssemos frágeis antes, mas isso ficou evidente quando fomos obrigados a conviver apenas conosco. Perguntas surgiram: o que faço agora? Para quem faço o que faço? Qual é o sentido da minha existência? Não havia resposta fácil — surgiu a dor. E, diante da dor emocional que não queríamos sentir, pensamos: se há comprimido para dor de cabeça e dor de estômago, por que não usar o mesmo caminho para ansiedade e depressão? Resposta: ansiolíticos.

“Se a dor acompanha a criatura, o que é senão tolice desperdiçá-la?”, escreveu José Maria Escrivá. Quando a dor de cabeça é recorrente, buscamos a causa. Quando a dor de estômago persiste, investigamos. E, diante de uma crise de ansiedade, qual é a causa?

Das dúvidas e medos sem respostas surgem a ansiedade e a depressão. Tomo um comprimido ou um retiro para dentro de si mesmo? Creio ser necessário parar, analisar e compreender para atuar na origem da dor emocional. Segundo Monsenhor Munilla, “a ansiedade é um grito da alma”, e o ansiolítico apenas sufoca o grito — não elimina a dor. É o analgésico da alma: a dor continua lá, e perdemos a chance de ouvir o que ela tenta dizer. O que grita a tua alma?

Fala-se de resiliência e antifragilidade como caminhos para enfrentar os impactos da vida. Entretanto, vivemos um período de excessos e abundâncias que nos enfraquecem emocionalmente. Perdemos a capacidade de enfrentar a dor, seja física ou da alma. Para a dor física, anestesia e analgésicos. Para as dores da alma, o celular, a televisão, as conexões superficiais, o consumo e, por fim, os ansiolíticos. Mas raramente perguntamos: qual é o sentido do meu trabalho para o outro? Para mim, o trabalho representa o salário ou o lucro que me permite atordoar a alma. E, para o outro?

É necessário desenvolver a firmeza de caráter que nasce da própria companhia — aquela que explora os desejos mais profundos da alma ao reconhecer que somos parte de algo maior do que nós mesmos. Há que se buscar a transcendência! O resultado? Solidez emocional, originada na coerência comportamental, que nos leva a ajoelhar diante do desconhecido. Só assim para voltar a ter esperança.

Você ainda se ajoelha diante do desconhecido? Se sim, provavelmente não vai precisar atordoar a alma. Pode começar a semana: a sala é tua.

Dedicado aos pais que ainda se ajoelham!

Moacir Rauber

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QUANTOS LIKES VOCÊ PODE DAR NUMA FOTO?

Foto: Pé de Alfredo Perluzky Rauber – dois meses de vida

ANSIEDADE E ESPERANÇA

Quantos likes você pode dar em uma foto?

No Dia dos Avós, minha esposa e eu recebemos uma foto impressa em que aparecíamos com nosso neto de dois meses, acompanhada de uma carta escrita à mão pelos pais, com o pezinho do bebê estampado. Ao abrir o envelope, ver a foto e ler a carta, ficamos emocionados. Eles estavam diante de nós, presentes na carta e presentes com sua presença. Como algo que já foi tão comum pode se tornar tão especial?

Algumas hipóteses: nunca houve tanta comunicação e, ao mesmo tempo, tanta solidão. Se, por um lado, as telas prometem conexão, por outro, parece-me que promovem desconexão. Assim, mesmo tendo milhões de seguidores que dão likes nas fotos postadas, o sentimento de solidão de quem posta aumenta. A pessoa pode estar no seu quarto ou na sua mansão, diante de uma tela pequena ou gigante, conectada ao mundo, mas desconectada de qualquer humanidade. Por isso pergunto: o que há de tão belo numa carta escrita à mão? O que existe de tão lindo numa foto impressa?

Não há como dar um like numa foto impressa nem numa carta escrita à mão. Elas exigem presença e intenção — um movimento de unicidade que alimenta dimensões fundamentais da vida social e familiar. Isso é belo, lindo e insubstituível! Nada disso está presente nas redes sociais ou nos likes virtuais.

Muitas pessoas recorrem à Inteligência Artificial, acessando chatbots para “conversar” como se fossem pessoas. Muitas vezes saem com a impressão de que “pelo menos a IA me entende”. Escapa-lhes que a IA é uma ferramenta complacente, uma caixa de ressonância que apenas emula pensamentos e sentimentos. Com isso, rouba das pessoas a experiência da amizade — uma das sete dimensões de uma vida saudável, segundo José Ignacio Munilla — praticamente eliminando a possibilidade de desfrutar das demais.

Para Munilla, uma vida saudável deve se basear em:

(1) esponsalidade, capacidade de comprometer-se com o outro, especialmente no casamento;

(2) maternidade ou paternidade, experiência máxima do ser humano ao assumir responsabilidade pela vida de outro;

(3) fraternidade e (4) solidariedade, exercitadas pela presença ativa na vida dos demais;

(5) filiação, reconhecer nos pais o privilégio da própria vida;

(6) mesmidade, identidade pessoal descoberta na interioridade profunda, uma relação autêntica consigo mesmo;

(7) amizade, escolha recíproca pela presença de um na vida do outro, contribuindo para o crescimento de ambos.

A amizade perpassa todas as demais dimensões.

A amizade pode e deve estar presente na relação matrimonial, sendo essencial para que se alcance a plenitude do vínculo. Ela aparece nas relações entre pais e filhos — na paternidade, maternidade e filiação — de diferentes maneiras ao longo da vida, exigindo, por vezes, posições firmes, disciplina e correções. Está presente na fraternidade entre irmãos e na solidariedade, quando se reconhece o outro como um verdadeiro outro, não como uma obrigação. A amizade consigo mesmo se revela na mesmidade humilde, não arrogante, de uma unicidade singular com múltiplas facetas. Nada disso se encontra num chatbot que apenas ressoa aquilo que você diz, nem nos likes de um post, que não revelam presença real nem intenção. Num chatbot, não há presença real, e a intenção não se manifesta.

Portanto, o que há de belo numa carta ou numa foto impressa? Elas carregam as bases de uma relação saudável, que se inicia pela amizade intencional e pela presença real. Ao ler a carta, eu sabia que estava diante de algo único e irrepetível, porque aquelas duas pessoas nunca mais escreveriam algo igual nem com a mesma intenção. Palavras escritas são irrepetíveis. Ao olhar aquela foto impressa, pude ver nela a amizade que gera conexão.

Você não pode dar um like numa carta escrita à mão ou numa foto impressa, mas elas fazem parte de um caminho que diminui a ansiedade, reforça a amizade, elimina a solidão e nos devolve a esperança.

Moacir Rauber

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ANSIEDADE e ESPERANÇA: QUEM É O TEU PÚBLICO?

Imagem gerada copilot IA

ANSIEDADE e ESPERANÇA

Quem é o teu público?

Escutava a adolescente comentar sobre sua última postagem. Ela acreditava ter sido a mais bonita que já fizera e estava ansiosa para ver a repercussão entre seu público. Teria de esperar um pouco: embora a internet seja rápida, uma postagem, por vezes, demora a engrenar.

No dia seguinte, nos encontramos novamente. Ela estava arrasada, triste e quase deprimida porque a publicação não resultara em tantos likes quanto gostaria. Disse:

— Não sei o que aconteceu… Foi a postagem mais bonita que já fiz!

E permaneceu verdadeiramente abatida.

A ansiedade do dia anterior havia passado pela excitação da expectativa de que seu público reagisse, evoluído para frustração e terminado em decepção. Parece drama adolescente, mas a cena revela algo presente no ambiente corporativo, social e familiar: a ansiedade gerada pelo culto à imagem, a confusão entre identidade e desempenho e o medo da desaprovação na comparação com os demais.

A ansiedade está presente nas organizações em diferentes níveis hierárquicos, realidade constatada pelo Ministério do Trabalho. Os afastamentos por transtornos mentais em 2024 e 2025 foram de 472.328 e 546.000, respectivamente. A síndrome do esgotamento profissional teve crescimento expressivo, passando de 823 casos em 2021 para mais de 7.500 afastamentos em 2025. Os afastamentos diretos por ansiedade e depressão representam mais de 60% dos casos, sintomas também presentes nas demais ocorrências. O impacto financeiro, segundo o Ministério do Trabalho, é da ordem de 3,5 bilhões de reais em 2025, gerando perdas econômicas para toda a sociedade brasileira.

Entretanto, quero destacar aspectos desse mal que não aparecem nos dados oficiais e que, a meu ver, estão no centro da crise: a falta de sentido da vida.

Ao conversar com as pessoas sobre os diferentes âmbitos da existência, percebe-se que estão ansiosas pelo estilo de vida acelerado, constantemente excitadas e incapazes de parar. Citam longas jornadas, metas agressivas, vínculos precários, insegurança profissional e hiperconectividade como causas da aceleração — fatores relevantes, mas não, creio, os principais. Um like não recebido gera ansiedade porque desmerece, desvaloriza e desaprova a autoimagem e o desempenho, criando sensação de diminuição na comparação com os demais. São razões externas.

Vejo que todos estão ocupados o tempo todo, abertos a estímulos de conectividade externa e superficial, distantes da conexão interna e profunda. Esta exige desaceleração, pausa e silêncio para que possamos compreender o sentido da vida, perguntando-nos: quem é o meu público?

A luta insana pela autoimagem comparativa nos conduz a um processo de “auto me estimo” excessivo, que nos faz comparar o incomparável: o outro e eu. Nessa luta, um like produz alegria superficial, tristeza profunda, temor existencial e falta de esperança, culminando em ansiedade doentia. Somos únicos e singulares; portanto, não há público comparativo.

É preciso desvincular-se do passageiro, efêmero e fugaz, buscando sentido na transcendência e na eternidade. Sou ateu? Não importa. A transcendência está além de mim, na importância daquilo que faço para o outro. A eternidade ganha sentido na posteridade das minhas ações, que repercutem no tempo como legado — organizacional, social e familiar. Em ambos os casos, ocupo-me do outro sem preocupar-me com seu julgamento.

E para quem crê na eternidade? Tudo se torna mais simples. O Público está acima de nós, libertando-nos da necessidade de mendigar aprovação. Like ou não like? Tanto faz. A confiança no Público acima elimina a ansiedade e nos enche de esperança.

Enfim, entendo que as políticas de saúde mental voltadas à redução de riscos psicossociais precisam, obrigatoriamente, considerar o sentido da vida e aquilo que fazemos pelo outro, num caminho de esperança. Por isso: “dance como se ninguém o estivesse olhando; ame como se nunca o tivessem ferido; e trabalhe como se não precisasse”, porque o teu Público está Acima.

Moacir Rauber

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ANSIEDADE e ESPERANÇA: SOMOS DESERTORES DA ETERNIDADE?

Fonte: Pixabay

Somos desertores da eternidade?

Começava a oficina dirigida aos professores para o resgate de recursos internos. No início, cada participante se apresentava dizendo o nome e a expectativa. Muitos falavam de maneira lacônica; outros demonstravam alguma curiosidade. Em todos, porém, havia um traço comum: a ansiedade. Ao final das apresentações, uma das professoras comentou:

— Acho que quase todos aqui funcionam à base de ansiolíticos… — e soltou uma risada nervosa.

A fala gerou silêncio. Não houve concordância nem discordância explícita, mas uma desesperança ansiosa podia ser vista no semblante dos presentes. Por que há tanta ansiedade num mundo com tantos recursos? Qual o motivo da desesperança entre professores?

Perguntas que admitem diferentes respostas diante de uma mesma realidade. Aponto uma: a aceleração constante do tempo.

Acredito que vivemos num mundo cada vez mais acelerado, em que a hiperconectividade nos expõe a estímulos contínuos aos quais nos viciamos. O WhatsApp é acessado de minuto em minuto; os vídeos do Instagram a cada meia hora; os e-mails geram a aflição de serem respondidos imediatamente; e a internet precisa estar presente em todos os ambientes, sob pena de provocar ansiedade, angústia e desespero. Trata-se de um fenômeno global que atravessa todas as faixas etárias e estratos sociais. Com isso, desconectamo-nos da vida — esse instante presente entre duas eternidades. O resultado é a aceleração, que cria a cultura da pressa e da incerteza, levando-nos a viver como se não houvesse tempo para viver. É paradoxal.

Na sala de aula, não é diferente. Professores cansados e estressados pelo excesso de conectividade são levados para lugares onde não estão. O mesmo ocorre com diretores, colaboradores e pais. Quanto aos alunos — crianças e adolescentes — soma-se a falta de educação, pois não aprenderam a respeitar o outro, seja adulto, idoso ou professor. Uma geração ensimesmada, marcada pela autoidolatria estimulada por pais ausentes, em que o “eu” ocupa sempre o primeiro lugar. Cada aluno é um imperador dos próprios desejos.

Assim, a sala de aula se transformou num espaço onde reina uma impaciência estrutural presente em outros ambientes, deixando de ser um local de ensino e aprendizagem. Temos professores sem autoridade, ansiosos e desesperançados diante de alunos desinteressados. O que fazer? Qual é o antídoto?

Em uma palestra de Monsenhor Munilla, ouvi a frase: “Somos desertores da eternidade!”. Nela, creio, está implícita a resposta para nossa ansiedade e desesperança constantes. Com o avanço tecnológico em níveis geométricos e até exponenciais, houve a consequente aceleração do comportamento humano. Enquanto a tecnologia utiliza suas últimas descobertas para dar o próximo passo, o comportamento não acompanha o mesmo ritmo. A tecnologia nos auxilia, mas também nos torna mais superficiais. Já não precisamos do mesmo esforço para alcançar resultados semelhantes. Entretanto, sua disponibilidade nos cerca de estímulos atrativos e viciantes, mantendo-nos em estado permanente de excitação — daí a ansiedade. Por outro lado, essa mesma excitação nos afasta da transcendência e da espiritualidade que acompanham a trajetória humana e nos aproximam da eternidade — daí a desesperança.

Portanto, o antídoto passa pela escolha individual de renunciar para combater a ansiedade e de parar para resgatar a esperança. Mas, como parar num mundo acelerado?

A escolha é de cada um. Saímos da expectativa para o compromisso.

Uma pausa para admirar a natureza e seus milagres; para refletir sobre o privilégio da vida e suas maravilhas; para desfrutar do mistério que não compreendemos — tudo isso exige compromisso. Da mesma forma, renunciar ao turbilhão de estímulos artificiais e superficiais para conectar-se ao presente, reconectando-se à eternidade, pede compromisso com o silêncio, a escuta, a oração, a meditação e o afeto.

São comportamentos que desaceleram a superficialidade da conectividade tecnológica, criando espaço para a diminuição da ansiedade e o resgate da esperança. O antídoto, portanto, passa pela necessidade de cuidarmos daquilo que não vemos, tirando o foco exclusivo dos sentidos. Exige o compromisso de olhar para aquilo que não se vê — a eternidade — para diminuir a ansiedade e recuperar a esperança.

Não podemos desertar da eternidade.

Moacir Rauber

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Somos únicos. Somos múltiplos.